Paralisia de Bell (Paralisia facial periférica): O papel da Fisioterapia na Reabilitação.
- Cristiane Marques

- 19 de out.
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de nov.
A paralisia de Bell ou Paralisia Facial Periférica Idiopática decorre da lesão/inflamação do nervo facial ( VII par craniano), que pode sofrer edema e compressão ao passar pelo canal de Falópio. Essa compressão resulta em isquemia e perda temporária da função nervosa, manifestando-se em uma ampla gama de sinais e sintomas como: interrupção da informação motora para a musculatura facial, fraqueza súbita e temporária nos músculos de um lado do rosto, com incapacidade de fechar um olho, sorriso assimétrico, alteração da mímica facial, salivação aumentada e dificuldade na mastigação e deglutição.(Cawthorne, 1965; Sax & Rosenbaum, 2006) (Nakani, 2023)
Nem sempre as causas são bem definidas. Acredita-se que a Paralisia de Bell seja causada por fatores como infecções virais, inflamação autoimune, exposição ao frio, gravidez ou estresse. Este, em particular, tem sido estudado como um gatilho significativo, com evidências sugerindo que eventos estressantes podem precipitar a reativação do vírus (Savadi- Oskouei et al., 2008; Shmorgun et al., 2002).
É uma condição clínica que pode envolver impactos psicológicos, limitação social e distúrbios como ansiedade e depressão. Embora essa condição seja geralmente comum e benigna, pode comprometer, significativamente, a qualidade de vida do indivíduo, exigindo um enfoque cuidadoso e bem fundamentado para seu diagnóstico e tratamento.
A maior parte das pessoas acometidas pela Paralisia de Bell costuma recuperar-se completamente em um tempo médio de 3 meses. No entanto, cerca de 15-30% pode enfrentar sequelas de longo prazo, como sincinesias e fraqueza residual. Daí a necessidade de uma abordagem individualizada e de um manejo proativo. (Gilden et al., 2004).
O tratamento medicamentoso costuma incluir o uso de corticosteroides já nas primeiras 72 horas, para reduzir a inflamação do nervo acometido e, em alguns casos, costuma-se prescrever também antivirais. Para a proteção do olho afetado, prescreve-se colírio e oclusão noturna, a fim de prevenir o ressecamento e lesão da córnea.
O tratamento com a fisioterapia desempenha um papel importante na recuperação da função muscular e na prevenção de complicações, como contraturas faciais. (Kusabe et al., 2017)
São realizadas técnicas como massoterapia relaxante e estimulante; estímulos sensoriais com diferentes texturas, cinesioterapia ativa, ativa-assistida e ativa-resistida; eletroestimulação funcional e educação do paciente.
Recentemente, novas abordagens terapêuticas têm sido exploradas. A terapia com toxina botulínica para aliviar a sincinesia tem mostrado resultados promissores em alguns
estudos, sugerindo que intervenções inovadoras podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, a pesquisa sobre fatores neuroprotetores e imunomoduladores está em andamento, com o objetivo de otimizar o tratamento e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes. (Kondo et al., 2014; Jeong et al., 2021)
Essas inovações podem abrir novas possibilidades para pacientes que não respondem adequadamente ao tratamento convencional.
Ft. Cristiane Marques

Referência bibliográfica: IDIOPATHIC PERIPHERAL FACIAL PARALYSIS OF BELL - Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação —REASE
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