top of page

Dor Crônica: tratamento e fenótipos

Atualizado: 5 de out.

Você já teve aquela dor que simplesmente não vai embora? Aquela que insiste em ficar por semanas, meses... e até anos? Se sim, você pode estar lidando com a dor crônica.

Muitas vezes, confundimos dor aguda (aquela que avisa sobre uma lesão ou doença e logo some) com a crônica. Mas a verdade é que elas são bem diferentes e, quanto mais entendemos essa diferença, melhor podemos cuidar de nós mesmos.


Em 2020, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) reformulou o conceito de dor como uma experiência complexa – ao mesmo tempo sensorial e emocional – ligada a um dano (real ou potencial) em nossos tecidos.


A dor crônica é aquela que dura mais de três meses, ultrapassando o tempo normal de cura de uma lesão ou doença. Nela, o sistema de alarme do nosso corpo fica "ligado demais", e a dor pode deixar de ser apenas um sintoma e passar a ser uma doença em si.


Ela pode ser constante ou ir e vir, de leve a intensa, e afeta o corpo e a mente. É por isso que ela exige uma abordagem mais aprofundada e atenta.


A dor crônica pode vir acompanhada de outros sintomas que evidenciam o quanto ela interfere na sua vida:

  • Dor persistente (o principal sinal)

  • Fadiga e cansaço constante

  • Distúrbios do sono

  • Rigidez ou sensibilidade ao toque

  • Mudanças de humor (irritabilidade, ansiedade, depressão)

  • Dificuldades de concentração ("névoa cerebral")

  • Diminuição da mobilidade


A dor crônica pode ter várias origens: desde problemas nas costas, como hérnia de disco até fibromialgia, enxaquecas, danos nos nervos, infecções e até fatores como estresse, ansiedade e depressão que a intensificam.


Para tratá-la de maneira eficaz, é importante que os profissionais de saúde busquem entender seu "tipo", ou fenótipo de dor. Conheça os três principais:


A Nociceptiva é uma dor causada por um dano real ou ameaça a um tecido (que não é o nervo). Ela é bem localizada\pontual. Exemplos: Uma torção, um corte, ou a dor de uma inflamação.


A Neuropática é uma Dor proveniente de uma lesão ou doença do próprio sistema nervoso. Ela segue o caminho do nervo lesionado, podendo apresentar sensações de queimação, choque, dormência ou formigamento.


A Nociplástica é o fenótipo que foi reconhecido pela IASP em 2021, como uma dor oriunda de uma alteração na forma como o corpo processa o sinal da dor (nocicepção). Ela é difusa e generalizada e, geralmente, é acompanhada de fadiga e problemas de sono. Muitas dores, que antes eram chamadas de "inespecíficas", como as da fibromialgia, atualmente são reconhecidas como dores nociplásticas.

Nas dores nociplásticas, o fenômeno neurofisiológico envolvido é a sensibilização central, que é a capacidade do Sistema Nervoso Central distorcer e ampliar a experiência dolorosa.


Esses fenótipos podem se sobrepor, podendo, por exemplo, uma dor neuropática evoluir também para uma dor nociplástica.


Identificar o tipo de dor predominante favorece a escolha de um tratamento mais adequado e personalizado.


O manejo da dor crônica é como uma orquestra, onde vários instrumentos tocam juntos para criar a melhor melodia. O tratamento costuma ser multidisciplinar e multimodal, combinando: cuidados médicos; fisioterapia; terapias psicológicas; mudanças no estilo de vida (alimentação saudável, higiene do sono e exercícios regulares) e algumas práticas integrativas e complementares ( acupuntura e meditação).


Na fisioterapia, cuidamos do indivíduo com dor crônica, mediante técnicas de Terapia Manual, agentes eletrofísicos, cinesioterapia, exercício físico e educação em ciência da dor.


A prática do exercício físico está indicada para todos os tipos de dor, uma vez que já existem muitas evidências científicas acerca da hipoalgesia (diminuição de dor) induzida por ela.


Os exercícios físicos promovem a dessensibilização do Sistema Nervoso Central. Mas, para isso, é fundamental cuidar de algumas variáveis, como: o tipo de exercício praticado, a dose, quais partes do corpo estarão envolvidas, a escolha do melhor momento e o contexto individual de cada paciente.


Lembre-se: o objetivo principal é reduzir significativamente a dor e, acima de tudo, melhorar sua função e qualidade de vida!

É sobre voltar a viver, trabalhar e se relacionar sem ser dominado pela dor.

Se você sofre ou conhece alguém que sofre com dor crônica, busque ajuda profissional!


Ft. Cristiane Marques



ree

Comentários


"Por onde for, floresça!"

Av. Anita Garibaldi, 1133, sala 510. Ondina

Salvador/Bahia

bottom of page