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Compressa de gelo ou calor?

Atualizado: 27 de jun.

Uma dúvida recorrente em consultório é: “Devo usar compressa gelada ou quente?”

Adianto que a resposta a esse questionamento nem sempre é tão objetiva.

Em algumas situações, pode haver indicação apenas do gelo, apenas do calor, de ambas as terapias, de uma ou outra e, até mesmo, de contraste (alternância entre o quente e o frio).

Vamos comentar um pouco sobre cada situação para auxiliar na escolha terapêutica.

Tradicionalmente, o gelo tem sido recomendado para lesões agudas, a fim de reduzir a inflamação, a dor e o edema. (Grana 1993; Michlovitz 1996).

A aplicação de frio para fins terapêuticos é denominada crioterapia e trata-se de uma aplicação superficial de gelo que resulta em diminuição na temperatura da pele, região intramuscular e articular.

O tratamento imediato para uma lesão do tecido musculoesquelético ou de qualquer tecido de partes moles é conhecido como protocolo PRICE (Proteção, Repouso, Gelo ou Ice, Compressão e Elevação). O seu uso é muito prático, uma vez que as cinco medidas visam diminuir/conter o sangramento no local da lesão.

O uso precoce da crioterapia está associado a uma redução significativa do hematoma e da inflamação e uma aceleração do processo de regeneração. A explicação fisiológica para esse fenômeno encontra-se na diminuição da temperatura tecidual, que estimula os receptores cutâneos na excitação das fibras simpáticas adrenérgicas, causando a constrição das arteríolas e vênulas locais. Isso resulta em uma redução de inchaço e uma diminuição da taxa metabólica que, por sua vez, reduz a resposta inflamatória, a permeabilidade vascular e a formação de edema (HOWATSON; VAN SOMEREN, 2008; CHEUNG; HUME; MAXWELL, 2003).

Recomenda-se, em geral, a compressa de gelo durante 20 minutos 3 vezes ao dia. À exceção das primeiras 48h de lesão, nas quais é possível repetir a compressa de gelo a cada duas horas.

Deve-se sempre proteger a pele com um tecido fino, como uma fronha, a fim de evitar as queimaduras causadas pelo gelo.

Já o uso do calor costuma ser recomendado para as lesões de longa duração, crônicas e/ou antigas (Grana 1993; Michlovitz 1996).

Para a terapia através do calor é importante afastar as seguintes condições: vermelhidão, edema e temperatura local aumentada.

Termoterapia é o nome dado à aplicação terapêutica de qualquer substância ao corpo que adiciona calor, resultando em aumento da temperatura dos tecidos, podendo ser superficial ou profunda, dependendo do tecido atingido. Esses tecidos podem ser aquecidos desde a pele, passando pelos músculos e atingindo os órgãos internos, proporcionando aumento do fluxo sanguíneo, metabolismo e a distensibilidade do colágeno. (NADLER, et al;2004).

Para uso doméstico, fazemos uso do calor superficial, que inclui métodos como: toalhas quentes, bolsas e banhos quentes, saunas, almofadas térmicas e lâmpadas de infravermelho (FRENCH, et al;2006)

A terapia com calor superficial é capaz de elevar a temperatura dos tecidos e promover efeito a cerca de 0,5 centímetros de profundidade a partir da superfície da pele. O calor superficial costuma ser utilizado para promover a analgesia, o relaxamento muscular, o aumento da distensibilidade das fibras de colágeno e a melhora da mobilidade das articulações (NADLER, et al;2004).

As principais indicações do calor são nas tensões musculares. Nas quais aplicamos compressas mornas sobre regiões como coluna lombar, coluna cervical e sobre o músculo trapézio, por exemplo.

Para a terapia com calor também é importante proteger a pele e pode ser utilizada de 15 a 20 minutos, 3 vezes ao dia.

Já a técnica de contraste consiste na alternância de exposição ao frio e ao calor, e tem o objetivo de aumentar o metabolismo e promover uma espécie de “ginástica vascular”, promovendo redução do edema e remoção de resíduos metabólicos como, por exemplo, o lactato sanguíneo. Esse processo acaba por auxiliar na recuperação dos tecidos. (PASTRE et al., 2009)

A técnica costuma ser mais utilizada nas extremidades, principalmente mãos e punhos, pés e tornozelos.

Para a terapia por contraste, você vai precisar de dois recipientes: um com água morna/quente e o outro com água fria (pode adicionar pedras de gelo). Inicie pela imersão na água morna/quente por 3 a 5 minutos, em seguida, faça a imersão na água gelada por 1 a 3 minutos e assim sucessivamente por cerca de 20 minutos. Finalize com a imersão em água gelada para auxiliar na contenção da inflamação e do edema.

Depois desse esclarecimento teórico, fica mais fácil escolhermos a terapia mais adequada a cada situação.

Como visto, sempre que estivermos diante de uma lesão aguda, com menos de 72 horas, cujos sinais e sintomas de vermelhidão, edema, dor e aumento de temperatura estiverem presentes, a escolha será a crioterapia. Nesses casos, o uso do calor poderá aumentar o processo inflamatório e, portanto, deve ser evitado.

Em lesões subagudas, depois das 72 horas, já é possível se pensar no uso do calor ou do contraste.  Como cada ser humano é único e o processo de recuperação pode variar entre um indivíduo e outro, é importante se certificar de não mais estarem presentes os sinais e sintomas de lesão aguda. Caso ainda estejam presentes após as 72 horas de lesão, o melhor é seguir com o gelo por mais tempo.

Tendo passado a fase aguda, uma boa opção é a terapia por contraste, principalmente em se tratando de extremidades que ainda apresentem um edema residual.

Numa fase mais tardia, ou em lesões crônicas, principalmente aquelas que envolvem tensão e dor muscular, o calor costuma ser bem aceito por proporcionar uma sensação de relaxamento, favorecer a distensibilidade do colágeno e melhorar os movimentos articulares.

É importante conhecer o próprio corpo, de modo a facilitar essa escolha. Por exemplo, um indivíduo pode conviver há anos com um quadro de dor lombar crônica. Porém, por algum motivo ou excesso de demanda, esse quadro de dor lombar pode sofrer uma agudização. Nesse momento, o ideal é migrar para o uso do gelo por alguns dias. Quando perceber melhora dos sinais e sintomas, pode passar a alternar a crioterapia e o calor e, por fim, voltar a usar apenas as compressas mornas.

Apesar das informações discutidas aqui, é sempre importante buscar a orientação de um profissional de saúde, principalmente em situações que requerem maior cautela como peles sensíveis, pessoas com diabetes ou erisipela, por exemplo.


Cristiane Marques

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